Métodos da prospectiva

Micmac

A análise estrutural é um instrumento de estruturação de uma reflexão coletiva que faz parte da herança dos trabalhos de análise de sistemas, oriundos da Rand Corporation, e foram bem descritos no famoso livro de Erik Jantsch (disponível na rede no item memória prospectiva). O método Micmac (Multiplicação matricial aplicada a uma classificação) foi desenvolvido em 1971 por Michel Godet foi aplicado aos fatores chaves do desenvolvimento da energia nuclear, em 1974, juntamente com JC Duperrin, CEA. Cf Tomo 2, Capítulo 5, do Manual de prospectiva estratégica. Colocar a si mesmo as boas perguntas e identificar as variáveis chaves.

Análise estrutural


Objetivo

 

A análise estrutural é uma ferramenta para estruturação de uma reflexão coletiva. Ela consiste em descrever um sistema através de uma matriz que mostra as relações entre todos os elementos que constituem o sistema. Partindo desta descrição, o método tem por objetivo identificar as principais variáveis influentes e dependentes e, a partir daí, as variáveis essenciais à evolução do sistema.


Descrição do método

 

A análise estrutural é realizada por um grupo de trabalho composto de atores e especialistas do campo em análise, podendo incluir especialistas externos. O método é composto das seguintes fases: listagem das variáveis, descrição das relações entre elas e identificação das variáveis chaves.

 

• Fase 1 : listagem das variáveis

 

A primeira fase consiste na identificação e listagem do conjunto de variáveis que caracterizam o sistema em estudo e seu ambiente externo (variáveis internas e externas). Nesta etapa é conveniente ser o mais exaustivo possível e não excluir, a priori, nenhuma via de pesquisa.

 

• Fase 2 : Descrição das relações entre as variáveis

 

Em uma visão sistêmica, uma variável só existe em função das relações que mantém com as demais variáveis. Desta maneira, a análise estrutural se aplica a exprimir estas relações, através da utilização de um quadro de dupla entrada, denominado matriz estrutural. Cabe a um grupo de uma dezena de pessoas, que participaram anteriormente da identificação e definição das variáveis, preencher ao longo de dois ou três dias a matriz de análise estrutural. Este preenchimento é qualitativo. Para cada par de variáveis, colocam-se as questões seguintes: existe uma relação de influência direta entre a variável i e a variável j ? Se não existe, nota-se 0. No caso de existir, pergunta-se se esta relação de influência direta é fraca (1), média (2) forte (3) ou potencial (4).


• Fase 3 : identificação das variáveis chaves com Micmac

 

Esta fase consiste em identificar as variáveis chaves, isto é, essenciais à evolução do sistema, inicialmente graças a uma classificação direta (fácil de realizar) e em seguida a uma classificação indireta (de Micmac – Matriz de Impactos Cruzados, Multiplicação Aplicada a uma Classificação). Esta classificação indireta é obtida através da elevação à potência da matriz. A comparação da hierarquia das variáveis nas diferentes classificações (direta, indireta e potencial) rica em ensinamentos. Ela permite confirmar a importância de algumas variáveis, mas igualmente de revelar variáveis que, em consequência de suas ações indiretas, exercem um papel preponderante (que a classificação direta não permite identificar).

Os resultados mencionados anteriormente, em termos de influência e dependência de cada variável, podem ser representados em um plano, onde o eixo das abcissas corresponde à dependência e o eixo das ordenadas à influência. Desta maneira é possível, além de identificar as variáveis mais influentes do sistema, estudar os diferentes papéis das variáveis no sistema, como no plano a seguir onde se representa uma tipologia.

 

Utilidade e limites do método

 

A primeira contribuição da análise estrutural é de estimular a reflexo em grupo e de fazer pensar em aspectos contra-intuitivos do comportamento de um sistema. Eles não devem ser tomados ao pé da letra, mas sobretudo devem estimar a reflexão. Está claro que não existe uma leitura única e “oficial” dos resultados de MICAMAC e que o grupo deve gerar sua própria interpretação.

Os limites se referem ao caráter subjetivo da lista de variáveis elaborada na primeira fase, bem como no caso das relações entre variáveis (o que explica o interesse de entrevistas com os atores do sistema). Esta subjetividade decorre do fato, bem conhecido, de que uma análise estrutural não é a realidade, mas um meio de ver esta realidade. A ambição deste instrumento é, precisamente, permitir a estruturação da reflexão coletiva, reduzindo os inevitáveis vieses.


Conclusões praticas

 

Deve-se contar alguns meses para realizar uma análise estrutural. Tudo depende, certamente, do ritmo do grupo de trabalho e do tempo aplicado.


Vários riscos devem ser evitados :

  • Subcontratar, inteiramente, a análise estrutural a um grupo externo ou, pior, a uma consultoria externa : o investimento da reflexão prospectiva deve ser feito na cabeça daqueles que serão chamados a tomar decisões no futuro;
  • Se livrar do indispensável trabalho inicial sobre as variáveis : o preenchimento da matriz, neste caso, fica completamente aleatório e sem valor, porque não há nem informação fiável nem linguagem comum;
  • Dividir o preenchimento da matriz, o que leva, mais uma vez, a resultados que não têm nenhum sentido, uma vez que a análise estrutural é um instrumento de estruturação coletiva das ideias.
     

Se estes riscos são evitados, o aspecto de apropriação da análise estrutural, na verdade um instrumento de escolha para uma reflexão sistemática sobre um problema.
80 % dos resultados obtidos são evidentes e confirmam a intuição. Eles permitem reconfortar o bom senso e a lógica da abordagem e, sobretudo, de dar peso aos 20 % de resultados contra-intuitivos.


Bibliografia

 

  • ANCELIN C., “L'analyse structurelle : le cas du Vidéotex”, Futuribles , n° 71, nov 1983.
  • FORSE M., L'analyse structurelle du changement social, PUF, 1991.
  • GODET M., Manuel de prospective stratégique, Dunod, Paris, 2001.
  • GODET M., Creating Futures : scenario-building as a strategic management tool, Economica-Brookings, Paris, 2001.
  • GONOD P., “Dynamique des systèmes et méthodes prospectives”, Travaux et recherches de prospective, Futuribles International, n°2, mars 1996.
  • SAINT PAUL R., TENIERE-BUCHOT P. F., Innovation et évaluation technologiques : sélection des projets, méthodes de prévision, Entreprise Moderne d'Edition, 1974.
  • TENIERE-BUCHOT P. F., L'ABC du pouvoir, Editions d'Organisation, 1988.

 

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