Métodos da prospectiva

Scenaring Tools

Foi foi desenvolvido em 2015 por François Bourse e Michel Godet, apoiando-se em especial sobre a análise morfológica de Zwicky. Compartilhar uma base prospectiv e construir os cenários pela análise morfológica. Scenaring tools é uma suite de aplicativos compreendendo vários módulos, dos quais dois são oferecidos na versão atual : o "radar prospectivo" e o módulo "Morphol".

As «Ferramentas de cenarização” (Scenaring Tools) são uma sequência se aplicações compreendendo vários módulos:

 

O primeiro módulo, “o radar prospectivo”, permite criar, compartilhar, por em debate, capitalizar as dimensões e variáveis (fatores, atores) de um sistema prospectivo, passagem obrigatória no contexto do estabelecimento de um referencial prospectivo e de cenários. Várias formas de representação são propostas: em “sistema prospectivo”, com representação visual dos diferentes níveis encaixados (ambiente global, ecossistema ou contexto próximo, sistema específico ou variáveis internas) e das dimensões associadas, ou em arborescência (níveis, dimensões, variáveis, hipóteses).

 

Para cada variável, os elementos de retrospectiva, tendências, incertezas ou rupturas, hipóteses e mensagens-chaves podem ser produzidos, discutidos e completados de maneira colaborativa on line, ou postos em discussão a partir das proposições iniciais.

 

Além disto, para cada variável, os participantes on line podem estocar arquivos e informações e os compartilhar (dentro do limite de 5 MB por arquivo), criando assim dossiers temáticos por variável. Finalmente, as funções de exportação e importação de dados e variáveis (com seus conteúdos, análises e hipóteses)  oferece a possibilidade capitalizar de forma permanente as análises prospectivas, bem como montar análises ou bancos comportando sistemas diferentes e complementares (por exemplo, um sistema prospectivo “alimentação 2030” poderá ser aproximado de um sistema prospectivo “agricultura 2030”).

 

As mensagens chaves para cada variável poderão ser levadas em conta no contexto de uma pesquisa tipo “Color Insight”.

 

As potenciais evoluções do módulo “radar prospectivo”, proposto em uma versão teste, são consideráveis, em função das utilizações e necessidades dos praticantes, que são convidados a nous enviar sugestões [1] e proposições, como no desenvolvimento do programa “Color Insight”.

 

O segundo módulo, « Morphol », propõe a construção dos cenários prospectivos através da análise morfológica sequencial (emboîtée–encaixada–envolvida - ...), de maneira intuitiva e interativa. Os níveis, dimensões, variáveis e hipóteses [2] são apresentados sob a forma de um paralelepípedo (portanto, em três dimensões). O conjunto de dados é assim facilmente acessível. Morphol permite construir cenários interligados a partir de um módulo amigável de seleção de hipóteses: inicialmente, por dimensão (jogos de hipóteses por grupos de variáveis de uma dada dimensão), em seguida, por nível, e enfim os cenários globais. Os cenários assim estabelecidos podem ser compartilhados e discutidos on line por um grupo de participantes. Em uma versão futura, os cenários escolhidos poderão ser visualizados sobre o “radar prospectivo” (exibição das hipóteses por variáveis e dimensões no gráfico).
 
[1] A questão da escolha de um horizonte temporal para as hipóteses foi levantada várias vezes, abrindo novas possibilidades de representações dos fenômenos e de construção dos cenários.
[2] Na forma em que saem do radar prospectivo (módulo inicial)

 

Análise morfológica

 

“Análise morfológica ”, um nome bem elaborado para um método muito simples, frequentemente desconhecido e que merece ser relembrado, porque pode ser muito útil para estimular a imaginação, ajudar a identificar novos produtos ou processos até então ignorados e por varrer o campo dos cenários possíveis.

 

O inventor deste método, Fritz Zwicky, queria precisamente, pela análise morfológica, fazer da invenção uma rotina, isto é, um procedimento corriqueiro”. Fritz Zwicky que foi o primeiro a imaginar as estrelas anãs, desenvolveu este método em meados dos anos quarenta, quando trabalhava para as forças armadas americanas. Reza a lenda que então se teria pensado, pela primeira vez, nos famosos foguetes polaris (mar, solo).

 

Nós « redescobrimos » a análise morfológica de Zwicky em 1988-1989, por ocasião do exercício de prospectiva AIF 2010 (Armement individuel du fantassin -  Armamento individual do infante) para o Ministério Francês da Defesa. Muito valorizada nos exercícios de “Technological Forecasting” dos anos sessenta (relembrar a célebre obra de Jantsh), tinha sido esquecida, sem dúvida por receio da combinatória envolvida.

 

Descoberta da análise morfológica em 1989

 

No fim dos anos 80, a reflexão prospectiva sobre o armamento do individual do infante (AIF), no horizonte 2010, conduzida pela Direção Geral do Armamento, nous conduziu a retomar do zero uma análise estrutural que deslizava havia três anos. A hierarquização das 57 variáveis consideradas, através do método MICMAC, permitiu identificar uma quinzena de variáveis chaves. A reflexão que se seguiu demonstrou que nove destas variáveis eram componentes características da arma (natureza do projétil, visada, fonte de energia, ...) e seis ds critérios de avaliação das armas (custo, competitividade, efeitos antipessais, ...). A análise morfológica das nove variáveis componentes da arma, cada uma podendo ter várias hipóteses de configuração, levou à identificação de 15552 soluções técnicas teoricamente possíveis. A utilização combinada do método MULTIPOL para a escolha multicritério e do método MORPHOL para levar em conta as restrições de exclusão e preferência permitiu reduzir o espaço morfológico a umas cinquenta e, em seguida, umas vinte soluções, que mereciam ser analisadas mais detalhadamente via análises complementares, dos pontos de vista técnico e econômico. Dez anos mais tarde, uma destas soluções foi o destaque do noticiário, pela apresentação ao público de um protótipo operacional. Tratava-se de uma solução poliarma-poliprojétil denominado PAPOP, que apresentava também um visada indireta. O infante pode atirar, escondido, sobre alvos fixos, blindados ou móveis, com projéteis específicos. O caso AIF é apresentado no quadro ilustrado do Manual de prospectiva estratégica (Tomo 2 do livro Arte e método e na versão inglesa Creating Futures).

Curiosamente, a análise morfológica foi por muito tempo utilizada em previsão tecnológica e pouco em prospectiva econômica ou setorial. Entretanto, ela se presta bem à construção de cenários. Um sistema global pode ser decomposto em questões ou variáveis demográficas, econômicas, técnicas, sociais ou organizacionais, cada uma destas variáveis ou questões tendo um certo número de hipóteses ou de respostas possíveis para o futuro.

 

Depois do início dos anos noventa nós a utilizamos muito sistematicamente nos estudos prospectivos. A maioria destes estudos foi publicada, em especial na revista Futuribles, na coleção Travaux & Recherches de Prospective (TRP) ou nos Cahiers du LIPSOR.

 

Até o final dos anos oitenta, a análise morfológica foi pouco utilizada, em sua essência, pelos prospectivistas. Anteriormente, a construção de cenários se limitava, geralmente, a algumas combinações, que pareciam as mais prováveis, de hipóteses sobre as variáveis chaves em análise, quatro ou cinco no máximo.

 

A questão da escolha das dimensões e variáveis chaves, da ordem em que são examinadas e das hipóteses associadas é determinante para a pertinência, a coerência e a verossimilhança, e a transparência dos cenários. Estas dimensões podem ser identificadas a partir dos resultados da análise estrutural (MICMAC), para a identificação das variáveis chaves e a análise dos jogos de atores (MACTOR).

 

Concretamente, a utilização da análise morfológica coloca diversos problemas, ligados à questão da exaustividade, aos limites e à ilusão da combinatória. A eficácia deste método, simples em sua aplicação, não deve levar a esquecer que a abrangência de soluções possíveis no campo da imaginação do presente pode dar a ilusão da exaustividade pela combinatória, enquanto que este campo não é limitado mas evolutivo no tempo. Se se omite uma componente ou simplesmente uma configuração essencial para o futuro, corre-se o risco de ignorar uma faceta inteira do campo dos possíveis. Por esta razão é prudente adicionar uma hipótese com “?” para se lembrar de que há várias outras hipóteses possíveis e, portanto, dezenas ou centenas de cenários ignorados por construção.

 

Pode-se também combinar, com proveito, a análise morfológica com a análise probabilística (método SMIC PROB-EXPERT, desenvolvido em se concentrando sobre as combinações mais prováveis dos jogos de hipóteses).

 

Bibliografia

  • GODET M., Manuel de prospective stratégique, Dunod, Paris, 2001.
  • GODET M., Creating Futures : scenario-building as a strategic management tool, Economica-Brookings, Paris, 2001.
  • GODET M., CHAPUY P., COMYN G., "Scénarios globaux à l'horizon 2000", Travaux et Recherches de Prospective, n°1, juin 1995.
  • MARTINO J. P., Technological forecasting for decision making, McGraw Hill, 1993.
  • SAINT-PAUL R., TENIÈRE-BUCHOT P.F., Innovation et évaluation technologique, Entreprise moderne d'Édition, 1974.
  • ZWICKY F., Discovery, Invention, Research - Through the Morphological Approach, The Macmillian Company : Toronto, 1969.
  • ZWICKY F., WILSON A., New Methods of Thought and Procedure : Contributions to the Symposium on Methodologies, Springer : Berlin, 1967.

 

 

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